Era manhã, o computador já havia dito as horas, talvez 9,
talvez 10, eu abri os olhos (o direito sempre primeiro), você ainda dormia ao
lado. Sempre assim, eu acordo antes e te olho dormir, roncar, ou simplesmente
respirar. Seu rosto sempre fica meio engraçado quando você dorme, o cabelo
amassa, sei lá, eu gosto de ficar olhando. A essa altura, eu já havia comprado
a passagem, já sabia o que nos esperava, então não contive as lágrimas. Eram
silenciosas, eram doloridas, mas, infelizmente, eram só o começo, eram só a
prévia das que estou derramando agora. Quando foi essa manhã? Ah, não lembro
exatamente, foi uma das últimas noites que dormimos juntos. Nunca terei noites
como essas. As conversas, as besteiras, as danças idiotas, as cantorias, as
indicações musicais, os textos, as filosofias, o álcool, as comidas... de fora,
tudo parece estupidamente simples, mas era com você, nada é simples, tudo
importa. Tudo. Eu já disse uma vez algo como "nada que um dia/noite com
Roberto não cure". Verdade, uma verdade filha da puta. Eu podia estar com
a vida toda estragada, com tudo indo ruim, até que conseguia lidar com as
coisas e seguir em frente, parando de chorar, mas era só com você que eu
entrava num mundo paralelo e esquecia de tudo. Era como tomar uma dose de Felix
Felicis, tudo dá certo e se encaixa.
Eu sinto sua falta de um jeito cruel, de um jeito que
machuca. Estou no meu segundo domingo sem te ver e o peso da saudade preenche o
vazio que era ocupado pela alegria e satisfação de estar com você. Dói muito
não poder te ligar (a cobrar) pra perguntar onde você está e ouvir um "tô
chegando" mentiroso como resposta. Você não está chegando, sabe? Não tenho
mais como usar sua casa como refúgio numa noite sem poder ir pra casa, ou para
me arrumar pra alguma balada, ou pra voltar do nosso amado Jam no MAM. Tô agora
ouvindo Amy cantar repetidamente "você sabe o que todas minhas caras
querem dizer", e chorando. Chorando sem parar. Eu tento controlar, tento
focar que temos a mesa do bar pra estar e conversar, mas aí vem todas aquelas vezes
que estávamos num bar, num boteco qualquer, pedindo mais uma garrafa, e eu
ouvindo a melhor gargalhada que existe, a sua.
Bom, eu não quero listar mais nada, já desidratei demais, e
lembrar de mais coisas, agora, só vai me deixar sem conseguir terminar essa
resposta. Eu realmente espero que eu consiga me acostumar, e você também.
Espero que eu consiga enxergar que a cada dia que passo longe de você é só um
dia a menos na contagem regressiva. Otimismo, né, às vezes é só o que a gente
precisa.
Se eu te amo? Acho que tá claro, mas nunca é demais
reafirmar: sim, eu te amo. Amo como se não houvesse amanhã, como se tudo o que
eu preciso hoje é te amar. Eu te amo, amigo, e tô contando os dias para descer em
Salvador e te encontrar rindo nos meus braços.
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Obs: texto-resposta à carta que ele, brilhantemente, escreveu aqui. Não chega aos pés, mas foi a única coisa que consegui arrancar de mim no ínterim entre uma lágrima e outra.
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| "Juntos somos um Peixe Grande demais/ Muito grande para caber no rio de uma vida/Destinados, portanto, ao oceano da eternidade" |
Adendo:
As fotos estão horríveis, mas são as únicas que tenho que mostram exatamente os momentos que eram tão nossos. Somos mais bonitos que isso, garanto.



Lindo do mesmo jeito, Gabi!!!
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